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A explosiva mistura entre política e saúde pública – Edison Pires


5 de abril de 2020 l Atualizada em - 3 de abril de 2020 às 14:22

Foto: SEBASTIEN BOZON / AFP

Quem acompanha mais atentamente a rotina de influências e decisões político/partidário nas mais diversas áreas da administração pública, já presenciou e teve a infeliz oportunidade de ver o efeito negativo que elas trazem para a população. Pequenos grupos interesseiros que vivem distante da realidade do povo, se permitem escolher ao léu aquilo que melhor lhe convém, sem se preocupar se milhões de pessoas irão sofrer consequências brandas ou graves. Na guerra político/partidária não existe piedade, trégua, sentimento humanitário. Apenas há a defesa de interesse próprio a todo e a qualquer custo.

O que assistimos hoje no Brasil com a pandemia do coronavírus é uma verdadeira catástrofe, com disputas absurdas que podem comprometer a saúde e a vida do cidadão. Vê-se a oportunidade que grupos políticos estão encontrando para “se armar” com dados e resultados visando as eleições de 2022. Entendo que a irresponsabilidade das ações políticas estão colocando o povo à beira de um ataque de nervos, e isso pode ser extremamente perigoso principalmente quando estão em jogo a saúde e a economia das famílias.

Num momento em que a desinformação é grande; as fakes ganham cada vez mais espaço; o stresse do confinamento misturado com a preocupação de perder o emprego e de não ter dinheiro para sustentar a família se juntam com o medo da doença e da morte. E quando soma-se a tudo isso a disputa entre prefeitos, governadores e presidente da República, divide-se a opinião pública e coloca brasileiros contra brasileiros.

Nesse ritmo, e espero estar enganado, não vai demorar muito para que essa diferença de opinião que está sendo plantada na população – entre elas se pode acabar a quarentena, não pode acabar com a quarentena – venha ser resolvida na rua em confrontos, roubos, furtos e saques. E se isso ocorrer, não tenha dúvidas que grupos políticos estarão comemorando!

Não me cabe opinar sobre a doença e quais providências devo adotar. Cabe-me acreditar e cumprir o que for determinado pelas autoridades, que estão tomando medidas com embasamento técnico e zelando pelo bem comum. Porém, não me cabe permanecer em silêncio e passivo diante de uma realidade que está mais do que evidente, que é a disputa política em cima de um quadro tão perigoso.

Uma vez mais, o vírus da política irracional está incontrolável e pode fazer mais vítimas do que qualquer doença. A disputa pelo poder realmente não tem limite!

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