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Araçariguama: Um centenário de legado, Sr. Manoel Florentino da Gama completou 100 anos de idade


28 de outubro de 2019 l Atualizada em - 28 de outubro de 2019 às 16:27

Com o passar dos anos a expectativa de vida vem subindo.  Inúmeras vacinas, antibióticos, produtos anti-envelhecimento e terapias genéticas vêm sendo desenvolvidos. Mas, qual o sentimento de completar 100 anos de existência?

Com certeza uma pessoa centenária já teve muito mais experiências do que a maioria das outras. No Brasil, a cidade de Quixabeira, na Bahia, guardada as devidas proporções, compara-se a Okinawa, no Japão, pelo número de habitantes e sua longevidade.

Voltando um século atrás, temos eventos marcantes como o término da Primeira Guerra Mundial; o lançamento do clássico “Mágico de Oz” e o ator Charlie Chaplin lotando auditórios com seu cinema mudo.  Assim como há 100 anos nascia o ator Orlando Drummond, “Seu Peru”, da Escolinha do professor Raimundo, o senhor Manuel também chegava ao mundo.

Manoel Florentino da Gama, residente de Araçariguama por mais de 30 anos, nasceu em Pernambuco, na cidade de Águas Belas, no dia 14 de outubro de 1919.  Já casado, chegou ao Paraná com sua esposa e dois filhos pequenos, após uma viagem em um caminhão “pau de arara”, que durou 17 dias por estradas de terra.  Foi a São Paulo e conheceu Araçariguama por intermédio da filha que, já casada, aqui residia .

Senhor Manoel trabalhou como tapeceiro, cozinheiro e, nos últimos anos, como cuidador de chácaras no Vale da Benção.  Hoje sua família se estende até a quinta geração com  5 filhos, 15 netos, 21 bisnetos e 3 tataranetos, sendo que uma de suas bisnetas Gyullia Maria Cavallari Silva, 14, vem se destacando na modalidade do Kung Fu, disputando até mesmo provas internacionais.

Senhor Manoel, que quer chegar aos 120 anos independente e mora sozinho  bem pertinho da filha, conta que o segredo para a longevidade é não comer carne, açúcar e ter uma janta bem leve ou apenas um lanche, dieta que há décadas ele adotou.  “Quem quiser viver não coma carne. O certo é o que vem da terra, o orgânico, sem agrotóxico das empresas. O Brasil é muito rico e fornecedor de alimentos e minérios para muitos países. Não tome coca cola porque tem muito açúcar e beba água ou água com limão. A gente tem que fazer as coisas pensando no que se está fazendo, fazer o certo”.  Segundo familiares, senhor Manuel continua bem lúcido, vai à missa, assiste a telejornais, gosta de conversar e comer arroz, feijão, banana, manga e abóbora, seus alimentos favoritos.

Para comemorar tão ilustre data, os filhos tiveram a ideia de homenageá-lo com uma festa que aconteceu neste último final de semana, em uma chácara, reunindo cerca de 70 pessoas entre familiares e amigos, com direito a camiseta estampada com a imagem dele.

Durante sua trajetória dois fatos foram marcantes:  a perda da filha há 15 anos e a da esposa há 10 anos, companheira por cerca de 70 anos. Também foi vítima de três atropelamentos, mas nenhum de seus ossos foi quebrado.  Por essas e muitas outras razões, os netos o apelidaram de  VÔ- VERINE, devido à sua resistência física e mental durante esta centenária jornada.

A neta Flávia da Gama Cavallari, que veio de Igarapava- SP para prestigiar a festa e dar um abraço no vô, diz:  “É um privilégio enorme ver ele completando um século. É emocionante.  A lição que ele nos deixa é de muito trabalho e honestidade”.

Verônica Florentino da Silva, filha atenta e presente na vida do pai declara : “Meu pai é tudo. Minha mãe era tudo. Sempre ajudou a gente. Nunca separei deles. Ele nos dá muitos conselhos”.

De acordo com várias pesquisas, pessoas que atingem a longevidade apresentam algumas características em comum, dentro de um contexto histórico onde viviam, apenas em busca de conquistar as necessidades diárias, como: uma vida simples, sem muitos eletrônicos, alimentação baseada em produtos orgânicos, movimentação física durante muitos anos, sem o o auxílio de carros e meios de locomoção, familiares próximos e, o mais importante, ter um motivo, um objetivo para acordar todos os dias.

Por outro lado, viver muito significa ver vários entes queridos irem embora e, em muitos casos, perder aos poucos as funções físicas, mentais e sociais.  Vamos torcer para que a ciência da longevidade possa avançar e trazer para nós anos vibrantes ao invés de somente dias acrescentados.

Parabéns senhor Manoel Florentino da Gama!

Texto: Tatiana Munhoz

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