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Brasil, o país dos impostos! – Edison Pires


9 de junho de 2019 l Atualizada em - 9 de junho de 2019 às 15:07

Essa frase é famosa e retrata uma realidade que o brasileiro tem que arcar, mesmo a contragosto. Num país onde a corrupção alcança cifras bilionárias; os serviços públicos em quase nada conseguem atender as necessidades dos cidadãos e a classe política – sempre metida em escândalos – vive uma vida de regalias inconciliável com a da maioria da dos brasileiros, pagar uma alta taxa de impostos em tudo o que se consome é, no mínimo, difícil de engolir. E tudo só tende a piorar quando se tem a informação de que, ano após ano, eu, você meu amigo leitor e todo o resto do povo brasileiro, temos que trabalhar cada vez mais só para atender a essa carga tributária. Ou seja, trabalhamos de graça para manter a roda girando a nosso desfavor.

Pois é, para traduzir esse absurdo em números, neste ano de 2019, segundo dados da Associação Comercial de São Paulo através do Impostômetro, o governo já arrecadou R$ 879 bilhões em impostos. Para se ter uma ideia, com esse valor seria possível adquirir quase seis milhões de apartamentos de moradia popular. E para pagar tanto, o brasileiro teve que trabalhar os primeiros 153 dias do ano só para o governo. Esse número foi alcançado no último domingo, dia 2 de junho.

No ano de 2003 o brasileiro destinou cerca de 36% do seu tempo para pagar impostos. Neste ano, foram 41%. Dos 153 dias de rendimentos que vão para os cofres públicos, 29 serviram para bancar perdas por desvio e mal-uso de verbas.

Desde as primeiras comparações, a carga tributária vem aumentando ao longo dos anos. De 1986 para cá, ela quase dobrou. Naquele ano o brasileiro teve que trabalhar 82 dias para pagar impostos. Em 1988, chegou a 73 dias, o menor nível registrado. Desde 2017 são 153 dias.

Apesar de a carga tributária ser alta no Brasil, há países onde ela é igual ou ainda maior. A diferença fica por conta do quanto o cidadão recebe em troca dessa alta contribuição. A Dinamarca, por exemplo, tem uma das maiores cargas tributárias do mundo: lá as pessoas trabalham 176 dias, quase metade do ano, só para pagar tributos. Nos Estados Unidos, são 105 dias. Mas compensa!

Do ponto de vista histórico, a cobrança de impostos existe desde os tempos bíblicos. Em tese, a criação visava uma relação de troca que garantisse o bem-estar social. As pessoas pagariam seus tributos ao Estado e, em troca, receberiam o amparo necessário para ter saneamento, segurança, saúde, educação, entre outros. Do ponto de vista teórico, a relação é justa, mas na prática, não é assim que funciona.

Além de lidarmos com uma carga tributária crescente, o país ainda tem uma péssima qualidade de serviços. Falta investimento em logística para baratear os custos de produção, a qualidade do transporte público é ruim, falta saneamento decente principalmente nas regiões periféricas, falta qualidade na saúde pública e na educação, e a questão da segurança pública é calamitosa. Basta ver a situação da criminalidade em grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, além da crise carcerária que recentemente foi amplamente divulgada pela mídia.

Desde o agravamento da crise econômica, o governo bate na tecla de que é preciso aumentar a arrecadação para a retomada da economia. No entanto, com uma das maiores cargas tributárias do mundo e sem o retorno desses tributos para a sociedade, fica difícil acreditar que essa saída é interessante.

Está na hora do governo começar a trabalhar por nós!

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