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Caso Vitória: Saiba como foi realizado o julgamento e a condenação de Júlio Cesar Ergesse


22 de outubro de 2019 l Atualizada em - 22 de outubro de 2019 às 14:59

Foto: Carlos Dias/G1

Júlio Cesar Engesse, um dos acusados de participação no assassinato da menina Vitória Gabrielly, de 12 anos, em junho do ano passado, foi condenado a 34 anos de prisão. O júri popular aconteceu nesta segunda-feira, 21, no Fórum de São Roque.

Entrada de Julio Ergesse no Fórum de São Roque

Publicado por Gazeta de Araçariguama em Segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Após cerca de 11 horas julgamento, o juiz Flávio Roberto de Carvalho anunciou a sentença e o ajudante de pedreiro foi condenado a 18 anos por homicídio, 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver e 3 anos por sequestro. Com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa e crime cometido para ocultar, a condenação chegou a 34 anos no total. Foram sete pessoas convocadas a serem os jurados do caso.

Outro fato levado em conta foi o histórico do réu, mostrando que sempre esteve em crimes graves e “péssima conduta social”.

A defesa de Júlio afirmou à imprensa que irá entrar com recurso. “Não concordamos com a decisão, porque é contrária com o que tem no processo. Foi provado que ele não estava lá no evento morte”, afirmou o advogado Glauber Bez.

 

As testemunhas

CASO VITÓRIA: Informações da primeira parte do julgamento

Publicado por Gazeta de Araçariguama em Segunda-feira, 21 de outubro de 2019

 

O julgamento começou por volta 9h30 com o plenário cheio com familiares da vítima, imprensa e público em geral. O roteiro do júri seguiu a lei n 11.689/08, do código de processo penal. Foram 9 pessoas ouvidas como testemunhas de acusação e defesa.

A primeira testemunha foi quem denunciou o réu à Polícia de Mairinque, um amigo que o conhece há 11 anos. Ele relatou que no dia em que Júlio lhe procurou,  estava muito nervoso e que ele havia dito que não sabia para onde tinham levado Vitória. No dia seguinte, após saber do tal fato, foi até a delegacia “já que se sentiu no lugar dos pais da vítima, mesmo considerando Júlio um irmão”, afirmou.

Logo após, um policial civil foi ouvido, onde descreveu todo esquema do tráfico de drogas em Araçariguama e todo o trabalho para a prisão de Odilan, acusado de ser o mandante do crime e preso no dia 21 de maio deste ano. O mesmo tomou frente das investigações do caso de Vitória após a morte do investigador Marcão. Outro fato relatado foi o do “Profeta”, indivíduo que estava sumido após ter sido suspeito de estupro em Araçariguama, e que foi encontrado em um cemitério clandestino na cidade de Caieiras.

A delegada de Araçariguama Bruna Racca foi a terceira testemunha a ser ouvida. Em certo momento, ela foi questionada pelas acusações de Júlio, de que o réu afirma que foi agredido por policiais, dentro da delegacia. Ela negou as acusações e relatou todo o trabalho das investigações, interceptações e prisões dos acusados.

A quarta pessoa ouvida foi um menino de 15 anos que afirmou ter visto Vitória entrar no carro no dia de seu sumiço. O menor afirmou que era um carro preto e velho, e que no seu interior, haviam de duas a três pessoas. Disse também que a vítima não demonstrou nervosismo e entrou no carro normalmente. Outra informação é de que havia uma pessoa com uma tatuagem de um possível animal no braço esquerdo.

O quinto escutado foi o homem que trabalha com os cães farejadores. Durante seu depoimento, ele explicou todas instruções de como é o funcionamento e o modo de se agir com os animais. Ele afirmou que os cães só identificaram o odor de Júlio no local próximo ao Ginásio dos Campeões.

A sexta testemunha foi um GCM que ficou poucos minutos em frente a promotoria e o juiz, e a sétima o homem, catador de latinha, que encontrou o corpo de Vitória, após seu cachorro adentrar na mata. Relatando o que aconteceu no momento do encontro.

Uma testemunha, não identificada, entrou no plenário logo em seguida com o rosto e corpo cobertos. Não prestou depoimento e saiu. As informações é de que houve um equívoco entre as testemunhas, e que essa pessoa estava muito nervosa.

A nona pessoa a entrar no local foi um homem que estava dentro do bar, próximo do local onde a vítima foi encontrada, que relatou também ter ido ver o corpo. Antes dos policiais chegarem.

A última testemunha foi o ex-patrão de Julio que relatou que o réu não foi trabalhar no dia do crime. Mas que Júlio era um bom trabalhador e “um inventador de causos”.

Interrogatório do Réu

O interrogatório de Júlio Cesar Ergesse não foi aberto ao público e à imprensa, somente contou com a presença dos advogados de defesa e acusação. Além do júri.

A medida foi estabelecida pelo juiz Flávio Roberto de Carvalho, que pediu a todos que estavam presentes no auditório para se retirarem durante o depoimento do acusado.

Os debates

Logo após o depoimento de Júlio, os debates entre a acusação e a defesa se iniciaram. O promotor Washington Luiz Rodrigues Alves relatou logo no início que Júlio havia confessado que esteve presente durante o sequestro da vítima. Durante seu depoimento, a emoção tomou conta do plenário após os patinetes da vítima e as imagens do corpo serem expostos no local.

O promotor ainda afirmou que Júlio estaria sim no local do homicídio, mas que não desceu do veículo, veículo este que ainda não foi identificado.

A defesa contestou as afirmações, alegando que não existia nenhuma prova de que seu cliente estaria no local descrito. Ressaltando diversas vezes o trabalho dos cães farejadores, que não identificaram o odor de Júlio na região onde o corpo de Vitória foi encontrado.

Após as réplicas e tréplicas, todos saíram da sala por cerca de 20 minutos para a votação do júri. Logo após, o juiz leu a sentença da condenação.

Júlio Cesar Ergesse é condenado a 34 anos de prisão

Publicado por Gazeta de Araçariguama em Segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Relembre o caso

Vitória Gabrielly foi morta em junho de 2018, quando saiu para andar de patins na rua do bairro em que morava. Foi sequestrada por engano por três pessoas a mando de um traficante que cobrava uma dívida de um morador da cidade que tinha uma irmã com as mesmas semelhanças de Vitória.

Segundo os acusados da morte da jovem, eles iriam levar a menina, até então sem saber que estavam com a pessoa errada, para dar um susto nela e no irmão da então vítima, que teria que pegar a dívida. Morta em um matagal, a jovem foi encontrada após uma semana de buscas, em uma área rural de Araçariguama. Segundo a perícia, a menina foi morta no mesmo dia que foi levada de carro pelos acusados.

Os outros dois presos, Bruno Marcel de Oliveira e Mayara Borges de Abrantes, não tiveram a data do julgamento definida. Porém, a defesa dos dois afirmou que será no próximo ano já que entraram com recurso na Justiça na tentativa de impedir a decisão de júri popular.

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