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Claro que martelar o dedo dói! – Edison Pires


2 de fevereiro de 2020 l Atualizada em - 31 de janeiro de 2020 às 11:31

Quando criança sempre ouvia meus pais falando que “não é preciso martelar o dedo para saber que dói”. Isso em alusão a algo que eu e o restante da molecada estávamos para fazer e que pelo absurdo da intenção, estava mais do que na cara que não daria certo. Na maioria das vezes a gente insistia e, claro, a coisa dava errada.

O tempo foi passando e essa “vontade” de teimar e errar, de nossa sorte, também foi passando. Hoje, pela responsabilidade profissional não é prudente que continue insistindo em algo que está claro que não vai trazer produtividade, ganhos financeiros ou melhorias. Seria muita irresponsabilidade ter esse tipo de atitude no mundo corporativo, onde a concorrência é grande e qualquer besteira que se faça, por menor que seja, pode manchar a imagem da empresa e provocar danos irreparáveis.

Tio Borba, o bom e velho político das Minas Gerais, sempre contava alguns “causos” da vida política, onde a insistência e tomada de decisões equivocadas acarretavam grande prejuízo para o grupo e, por consequência, ao cidadão. E ele dizia: “A arrogância é o pior inimigo daquele que tem que tomar decisões”. Isso porque, segundo o saudoso tio, ao ter a última palavra, muitas vezes essa pessoa não se atenta à responsabilidade do ato e se deixa levar pelo poder da decisão. Haja ego!

Uma vez ele me contou sobre um político que optou por cobrar pedágio daqueles que atravessavam a sua cidade para chegar a um local turístico em outro município – o braço de uma represa. Decisão razoável, pois ele achava que os turistas que vinham de toda região traziam mais prejuízo do que lucro. Mas ele não levou em consideração o custo para a construção das cabines; o movimento no comércio local, uma vez que os turistas faziam compras para passar o dia aproveitando o passeio e, muito menos, que havia uma rota paralela que não passava pelo centro. Não faltaram palavras de alerta sobre o risco de sua decisão. Mas ele insistiu. Resultado: gastou dinheiro; não conseguiu ter controle sobre o número de carros que pagavam a tarifa; os turistas passaram a usar outra estrada; o comércio enfraqueceu e os problemas aumentaram. Não foi reeleito!

Tio Borba dizia também que além da insistência, outra inimiga das decisões é a precipitação. Decidir impulsivamente na maioria das vezes traz consequências nada positivas, principalmente, quando se é levado pela influência de terceiros. Por melhor boa intenção que se tenha, avaliar o resultado de um ato é tarefa imprescindível. Tanto na política ou no mundo empresarial, as decisões equivocadas mostram fraqueza do líder. Claro que ninguém acerta 100% das vezes, mas errar em larga escala é sinal de incompatibilidade com o cargo ou função!

Mandar ou delegar é fácil, o difícil é saber a quem mandar e delegar!

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