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Criança, açúcar, quarentena – Tatiana Munhoz


17 de maio de 2020 l Atualizada em - 15 de maio de 2020 às 14:13

Repentinamente nosso estilo de vida requereu um ajuste devido à chegada do novo coronavírus. Países de todos os continentes iniciaram ações de quarentena para conter o avanço da pandemia e, gradualmente, concebemos a ideia de que o ritmo frenético do dia a dia seria reduzido à marcha lenta e um processo de realinhamento pessoal e social apresentava-se.

Restrições, isolamentos, estudos online, comércios fechados e fatores de stress externos se enquadram nesse novo cenário global. O “ficar em casa” por um período extenso pode ser desafiador, particularmente pela ausência rotineira de tarefas. Pensamos que fomos os maiores atingidos por isso, mas nos esquecemos que existem “pessoinhas” totalmente dependente de nós – as nossas crianças.  Como adultos e responsáveis, somos modelos importantes para uma geração que procura equilíbrio e reafirmação nesses dias difíceis.

Estruturar, aplicar e seguir os inúmeros planos e listas, com atividades benéficas e educativas para o dia a dia, elaborar mais de cinco refeições diárias, visto que, não interrompem o ato de mastigar, e, ao mesmo tempo, dedicar tempo em nos apurar em receitas caseiras, usando alimentos do nosso estoque, ao invés de nos entregarmos à alimentos congelados, prontos e adocicados, têm sido outra preocupação que, essa sim, é de extrema valia para elevar o sistema imunológico dos pequenos.

Ficamos tentados a oferecer alimentos ricos em açúcar como forma de recompensa ao bom comportamento de nossos filhos ou, muitas vezes, para distraí-los, nas ocasiões que estamos cansados e carecemos de um tempinho. A verdade é que o açúcar contido em sucos, bolachas, bolos, sobremesas, balas, doces, iogurtes, sorvetes, etc, converte-se em mais um inimigo, mas, desta vez, não viral e nem invisível, de maneira oposta, bem conhecido de todos nós.

Alimentos como estes e outros tantos, em que o açúcar é incluído, apresentam altos índices calóricos e poucos nutrientes. De modo consequente, originam cáries, acnes, diabete, obesidade, câncer, problemas estomacais e, mais recentemente, a asma.  Ingerimos e oferecemos às crianças muito mais do que as recomendações diárias, simulando um estado saciado e não deixando espaço para comidas saudáveis.

Inúmeros estudos alegam que pequenas quantidades de açúcar afetam negativamente a memória, atenção e comportamento e que altas doses inflamam o cérebro, reduzindo suas funções cognitivas, aumentando a pressão arterial e danificando vasos sanguíneos.  A boa notícia é que o cérebro das crianças é muito resistente e admiravelmente pode ter suas funções revertidas com a ingestão de frutas, vegetais e outros alimentos saudáveis.

O açúcar em excesso pode prejudicar o sistema imunológico da criança e reduzir as defesas naturais contra doenças infecciosas e torná-las suscetíveis às doenças virais também.   Sem dúvida todos queremos ver o bem estar de nossos familiares e amigos. Usemos, então, dessa quarentena para reavaliar nossos conceitos sobre os impactos de uma alimentação mais saudável, com o propósito de que, quando tudo voltar à normalidade, não retornemos à subnutrição que estávamos submetendo nossos amados, com muitos alimentos, mas poucos nutrientes.

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