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Crônica de uma cidade – “A mentira”: Dimas Junior


22 de outubro de 2019 l Atualizada em - 22 de outubro de 2019 às 16:47

Se pudesse, pediria para que não me contassem mentiras. A mentira não deve ser entendida apenas como o contrário da verdade. Moralmente ela está mais próxima da intenção de enganar, do que da deturpação da verdade, mais relacionada ao dolo ou prejuízo que causa a outra pessoa. As mentiras estarão sempre presentes no cotidiano do ser humano e as formas mais conhecidas de mentir são: a de mentir a si mesmo e aos outros.

A primeira nos mantém em estado de sono, sem que a percebamos. Mentimos para nós mesmos quando das promessas de iniciarmos o ano novo, e por resoluções de fazer uma série de mudanças em nossa vida, contudo sem a convicção de cumpri-las. É como se a simples mudança de calendário fosse suficiente para despertar em nós as forças mais intimas. As pessoas mentem quando se propõem a regimes alimentares nunca continuados; quando, homens e mulheres dizem parar de fumar e beber. Em algumas ocasiões parece haver em nós, a vontade de se centrar na questão da mentira, entender porque se mente tão descaradamente, compulsivamente e, quanto essa atitude mentirosa causa frustrações e aborrecimentos nas pessoas. As mentiras ocorrem em várias áreas da atividade humana, na política, na economia e no relacionamento conjugal. Foi mentira política a afirmação do então presidente Lula, de não saber nada sobre o mensalão.

Será sempre uma mentira econômica, o governo divulgar índices manipulados de inflação, na intenção de esconder a alta de preços. Haverá uma mentira no relacionamento conjugal, quando um casal prestes a se separar , e aparece em público como se tudo estivesse bem. As pessoas aprendem desde cedo o comodismo da mentira, os tipos e que muitas vezes ela tem o peso de verdade. Talvez ao olharmos para ela, tivéssemos a opinião sobre o falseamento da verdade, pelo mecanismo de conveniência e convivência social. Algumas pessoas, por insegurança, buscam enriquecer sua imagem e habilidades na intenção de causar boa impressão noutras pessoas.

Nesses casos há a possibilidade de entender o grau do sentimento de inferioridade, pelo tamanho de suas mentiras. As mentiras sobre si mesmo conseguem êxito enquanto não desmentidas. Em geral, quando alguém fala sobre o que fez, ou como agiu diante de uma situação, pelo tamanho do relato, acaba criticado. Um amigo dirá sempre a verdade sobre o que pensa de você, se for ouvido com isenção. À exceção dos políticos, a mentira está mais relacionada com a intenção de enganar do que com a deturpação da verdade. A mentira pode ser uma ficção, uma fábula quando fizer parte da literatura, da arte. Não podemos considerar que toda mentira, tem a mesma forma e a mesma intenção.

Existem mentiras banais, aquelas que socialmente não causam mal, quando se oculta alguma situação ou elogia-se algo que está feio, como existem as grandes mentiras. As pequenas e comuns no dia-a-dia por serem comedidas não causam dano maior, as grandes, porém seu dano é incontornável. Mentir nunca é bom e sempre uma arma muito perigosa.

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