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Crônica de uma cidade: Na política, faltam líderes – Dimas Junior


7 de outubro de 2019 l Atualizada em - 8 de outubro de 2019 às 17:39

Liderar é fazer as coisas darem certo, na hora certa, e para ser um líder político é preciso que as pessoas queiram segui-lo. Ninguém segue o outro sem saber para onde ele está indo. Há uma escassez de políticos com a capacidade de persuadir em torno de ideias, de projetos e de criar uma perspectiva de futuro com mudanças. A liderança é uma adesão, uma concordância e FHC é um sujeito assim, com uma capacidade enorme de encantamento e persuasão. Por essa razão que não havendo lideranças respeitadas, o cidadão comum tende a aceitar aventureiros políticos preenchendo esse vazio e assim, os descontentamentos a partir daí, tornam-se mais sérios. Qualquer vazio de liderança política é preocupante e essa constatação passa por nossa cidade.

Na política é necessário ter bons exemplos, não se trata de ser moralista, mas é necessário que se reconheça pessoas que fazem as coisas darem certo e que suas atitudes significam modelos para a prática da política e para a sociedade. Somos inspirados por suas ações e aprendemos com elas e a falta de um líder faz com que a sociedade siga numa direção e a política para outro, regredindo. A política precisa da uma vanguarda e nem sempre se obtém êxito entre a vanguarda e o atraso. Há muito mais conflito, vejam o caso do deputado Natan Donadon. Às vésperas de uma nova onda de manifestações marcada para sábado, Dia da Independência, o Congresso Nacional para amenizar o desgaste provocado pela manutenção do mandato do deputado-presidiário, a Câmara aprovou por 452 votos a favor e nenhum contra, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 349/2001, que acaba com o voto secreto em todas as decisões do Parlamento. Foi por causa desse vexame que deputados desengavetaram uma proposta guardada por 12 anos, e da noite para o dia ela foi aprovada. É lamentável.

A política tem que ser algo muito maior do que isso. Uma boa liderança é alguém, um ser humano, algo vivo e atuante, que nos motiva e nos influencia. É através deles que se resgata a política que conduz a sociedade ao rumo certo. Não temos líderes neste momento. Há muito tempo vivemos sem a figura de uma pessoa que se admira, que se respeita e que seja capaz de nos direcionar, mas está na hora de buscar essa mudança. Hoje tudo é um mau exemplo. Se fossemos traçar um paralelo entre o que há de novo em tecnologia digital, Iphone, etc. e o que nossos políticos têm a ver com essa nova sociedade que surge provocando mudanças, diria que nada.

Eles estão distantes e não se deram conta disto. As vozes que ecoaram nas manifestações populares precisam ser ouvidas, elas ecoam anseios, que ultrapassam as estruturas tradicionais das instituições e dos partidos políticos. É uma mensagem pelo direito de influir nas decisões dos governos; é uma mensagem de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público; mensagem que comprova o valor da democracia e da participação dos cidadãos em busca dos direitos.

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