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Crônica de uma cidade “Um homem comum” – Dimas Junior


7 de agosto de 2019 l Atualizada em - 7 de agosto de 2019 às 15:11

Era uma vez um homem comum, a seu modo dizia não acreditar no amor. Um cidadão comum, como todos aqueles que se vê nas ruas, caminhando solitários e pensando como vencer na vida. Dizia não haver coisas impossíveis quando tratava dos negócios. Nascido numa cidade sossegada, ele não era exagerado nem extravagante, apenas um homem comum, e a maioria das pessoas o considerava um sujeito entediado e depressivo. Onde morava nada acontecia de importante, não havia discussões, não havia eventos e com o tempo o anônimo se transformou num indivíduo frágil e confuso. Ele haveria de ir além de nascer um dia, de viver e morrer se desejasse atingir algo maior, mas nunca fez nada importante que pudesse mudar o seu destino, nem se interessou por alguém de uma maneira apaixonada, por achar que o amor não existe. Tivera inúmeras experiências, a mais melancólica foi à tentativa de encontrar o amor que não sentia e desse modo viveu observando as pessoas.

A maior parte da vida procurou entender o que era o amor na intenção de confirmar como algo que sabia não existir. Insistira sempre que a existência do amor dependia de intensas buscas e oportunidades sobre as quais haveria de nutrir-se. Há bastante tempo suas emoções o conduziu por lugares onde dizia para as pessoas que o amor era uma invenção dos poetas, uma mentira que os cristãos contavam com o propósito de manipular a mente fraca dos humanos, instando-os acreditar por causa disto, em algum controle.

Numa manhã ensolarada disse: “o amor não existe, não é real, nenhum ser humano pode encontrá-lo”, sentia-se angustiado e aniquilado com a sensação de que a vida passou e que sua procura pelo amor não dera em nada. Mas onde estaria aquela chama que tem o nome de amor? O anônimo era convincente e um erudito, mas não entendia outra forma para o amor a não ser que ele era uma espécie de droga, cuja dependência afetava o relacionamento ao beneficiar aqueles com menos necessidade num relacionamento. Um dia, encontrando-se noutra cidade tivera um questionamento ao pensar: “mesmo com as decepções da vida, penso que viver e agir pela limitação da falta de amor e de impossibilidades me deixaram verdadeiramente limitado.

As preocupações, medos, dúvidas, ansiedades formaram grandes hesitações em mim e enorme peso sobre a alma, mas apesar disso, por que continuo a procurar o amor?” Um coração tem o tempo que precisa para aprender, viver e a fazer coisas, na realidade o coração do anônimo o tempo todo o preparara para o fracasso sem perceber estar cheio de amor. Essa descoberta porém ocorreu-lhe numa noite quando algo inexplicável aconteceu e seja lá o que for, tocou-lhe o coração. Sentado, perplexo e fechando os olhos permitiu que uma intensa energia invadisse sua cabeça até o peito, despertando sentimentos até então não experimentara. De um lampejo, tudo passou a ter sentido, descortinando em na mente uma visão, que por um tempo indeterminado permaneceu repetindo as coisas sem sentido que tanto dissera na vida. Estavam diante dele todas elas, desde sempre. Vivera um pesadelo e não soubera até ali, perceber o ser verdadeiro que havia e o quanto naquele instante o deixava deslumbrado. Lembrava-se das pessoas que conheceu na vida, dos lugares, dos momentos importantes que por pouco não havia lhe sucumbido. Sentia que a vida era uma grata surpresa, e que não havia castigo nem recompensa, mas uma dádiva e que tudo seria complicado se não mudasse. As coisas são assim, acontecem e desse modo é possível amar o mundo.

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