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Crônica de uma cidade: “Uma vida e sonhos” – Dimas Junior


14 de outubro de 2019 l Atualizada em - 14 de outubro de 2019 às 11:00

O tempo leva tudo o que quer, e deixa para trás apenas a escuridão. É uma escuridão que encontramos nos humanos e às vezes, nós nos perdemos em meio a ela. Enquanto existirmos sempre haverá tempo para sonhar. É pecado sonhar? Sonhar pouco sim, não sonhar mais ainda; não deixe que o desejo de existir e de sonhar morra. Os sonhos indicam o lugar de chegar, e produzem em nós uma força que precisamos para tirá-los do onde estão e colocá-los junto à nossa dignidade e essa coragem de encarar nossas perdas nos mantém fortes. Na estrada aprendemos que a vida não é para sempre, e por mais que não queiramos acreditar nisso. A gente aprende com a vida quando há um recomeço, e haveremos de continuar aprendendo embora isso pareça estranho e inexplicável, pois assim é a vida. Haverá um tempo em que é preciso ter energia para continuar a sonhar a despeito das dificuldades que encontramos todo dia, e quanto vale um sonho impossível? Todos têm o seu preço e na vida quando uma porta que se fecha, quanto custará à outra para se abrir? Em geral, olhamos para a porta fechada com pesar e ressentimento, até percebermos que outra se abriu mostrando um lastro novo e desconhecido e a vida continua.

Viver um sonho, ou abandona-lo custa um preço, que é sempre caro e não devemos passar muito pelo tempo perguntando o que aconteceu, é preciso seguir adiante. Qualquer ciclo que se encerra faz compreender que uma etapa da vida chegou ao final, e nova etapa se inicia. Não podemos permanecer mais que o necessário, insistindo em compreender algo que em si perdeu a alegria e o sentido de viver. A vida é generosa, a cada instante que se vive, descobrem-se outras tantas oportunidades de vivê-la.

Enriquecida ela auxilia a quem se arrisca e privilegia a descoberta dos seus segredos, oferecendo inesperadas oportunidades. Onde paramos não importa, se foi num momento em que vida se cansou, é necessário ter sempre um recomeço. O passado tem uma energia muito forte e não devemos deixar que esta energia nos leve para trás, ela deve servir como um reflexo auxiliar em novas experiências. Um ser humano não é tão consciente o quanto ele sabe, nem o quanto ele não sabe. A vida humana deve expandir-se na alma, no destino e no silêncio das respostas, pois será por esta estrada que haveremos de caminhar. Não podemos viver ao mesmo tempo no presente e passado, nem quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. É assim que desejo livrar-me da ânsia de querer ter mais do que preciso, de querer ir além do que é preciso, porque isso acaba sempre em nada. Não quero esperar, pois o que sei que o tempo não voltará nunca mais, no entanto descobri e ou dar duvido ao valor da vida, quando uso a dúvida para compreender a vida que floresce. Faça a pergunta, como diz o livro, esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom, se não, não terá nenhuma utilidade. Certamente sonharei em todos os meus dias, que serão dias da busca do um tempo perdido. Eu os guardarei em minha memória e de quando em quando os trarei como uma brisa que sussurrará o meu coração, e meu espírito se exultará por instantes, certamente.

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