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Demonstração de força e poder! – Edison Pires


29 de março de 2020 l Atualizada em - 27 de março de 2020 às 14:15

Em tempos de coronavírus discute-se também o risco de contaminação da população carcerária que, por razões óbvias, pode se transformar num gravíssimo foco da propagação da doença. Porém, a pergunta que não quer calar no momento, não tem muito a ver com o vírus ou número de infectados, mas, com a resposta que os detentos deram a uma decisão das autoridades: Como tantos presos conseguiram fugir correndo pelas ruas?

Só tenho acompanhado na mídia reportagens abordando a preocupação com o risco dos presos e funcionários de presídios e cadeias serem contaminados com o Covid-19. Também sobre os motivos das rebeliões e as fugas em massa recentes, que foram gerados pelo cancelamento da “saidinha”, que é quando detentos que cumprem requisitos estipulados em lei, ganham o direito de passar um certo período fora da cadeia, na casa de familiares em datas especiais. Neste caso, eles deveriam sair para festejar a Páscoa.

Mas, não vi nada sobre as fugas em si. Ou seja, como é que mais de dois mil presos conseguiram deixar suas celas e saíram correndo pelas ruas? Na cidade de Tatuí foram mais de 1500. Na litorânea Mongaguá, foram 600. Aliás, as imagens dos detentos em disparada pelas vias próximas ao presídio viralizaram pelas redes sociais. Algo assustador!

Essas cenas revelam a fragilidade em que se encontra o sistema prisional no País, ou, pelo menos, em algumas unidades instaladas em cidades do Interior do Estado. Quer dizer, mostram que se os presos quiserem fugir a qualquer momento, eles conseguem. E não precisa ser através de túneis ou planos mirabolantes. Basta decidirem que aquele é o momento e pronto. Não tem quem segure! Ainda bem que mais da metade dos fugitivos já foi recapturada.

As fugas mostram que o poder de decisão está com eles! E que não tem nada que as autoridades possam fazer a não ser correr atrás, literalmente.

Por fim, tamanha demonstração de poder dos presos levou o governo a recuar e a permitir as “saidinhas”. Muitos deles já estão nas ruas comemorando a Páscoa e, principalmente, a força que têm!

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