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Desbravando a região de Champagne, na França


18 de fevereiro de 2020 l Atualizada em - 18 de fevereiro de 2020 às 17:14

Os vinhedos da região de Épernay são limpos e muito organizados. O plantio de cada tipo de uva segue regras específicas. As plantações são abertas à visitação com horário agendado / GB Imagem

Que tal conhecer a região de Champagne e viver uma das melhores experiências de sua vida, regada à bebida mais famosa do mundo?

A primeira parada é em Paris, na França. Até Reims, a principal cidade da região de Champagne, são 150 quilômetros e a viagem dura cerca de uma hora e meia; assim que terminam os subúrbios parisienses, a paisagem é tomada pelos campos de plantação de trigo e colza, usada na fabricação de óleo.

Na cidade de Reims, a principal atração é Catedral de Notre-Dame de Reims, construída no Século XIII, em estilo gótico, e que já foi palco da coroação de vários reis de França. Reims é cortada pelo Rio Vesle e é comum ver vários barcos ancorados à sua margem, sendo que alguns deles servem de moradia e enfeitam a margem do rio, em pleno centro da cidade. Na maioria, são barcos antigos de transporte de cereal.

A fabricação de vinho na região de Champagne segue regras rígidas seguidas há séculos. Caso contrário, a produção não recebe o selo de especificação de produto original. Uma dessas regras é a fermentação e o descanso em “caves” localizadas em túneis cujas temperaturas não passam dos 11°C / GB Imagem

Nas margens do Rio Vesle existem as pistas de recreação e as roseiras e demais flores costumam chamar a atenção do visitante.

Depois de conhecer o centro da cidade e sua imperdível catedral, o bom é seguir para Épernay que fica a 30 quilômetros seguindo pela Estrada Turística do Champagne. O motorista deve ficar atento ao grande número de ciclistas que dividem o caminho com os veículos motorizados. O caminho é recheado de pequenos vilarejos, todos produtores de champagne.

Chegando em Épernay não se pode deixar de visitar pelo menos um fabricante de champagne. Todos, dos mais modernos aos mais tradicionais, dos que trabalham apenas com a família às companhias que exportam milhões por ano, tem uma programação de visitas. No total, são mais de 100 quilômetros de corredores subterrâneos, chamados “caves”, onde estão estocados milhões de litros de champagne. Lembrando que a visita a estes locais deve ser feita com roupa apropriada; a temperatura embaixo da terra gira em torno de 11 graus centígrados.

Os tipos de uvas usados na fabricação do champagne são pinot noir, meunier e chardonnay, que precisam de cuidados específicos em seu plantio / GB Imagem

Aqui vai uma pausa na viagem para entender: a fabricação do champagne em Épernay segue métodos específicos e todas elas são certificadas com a indicação AOC – Appellation d’origine contrôlée – de indica a origem do produto. É preciso seguir regras na etapa de produção, por exemplo, observar a composição das uvas e técnicas de fermentação para se obter o autêntico espumante francês. O processo de fermentação ainda é feito do modo original, ou seja, as garrafas são estocadas em túneis profundos durante dois a cinco anos, por isso o custo elevado do champagne autêntico.

De volta ao passeio pelas “caves”, os túneis são escavados em terreno calcário e as paredes são de giz, sempre vertendo gotas d’água. A iluminação é tênue, suavemente amarelada, para não atrapalhar a fermentação e o descanso do vinho. O teto é coberto de fungos de penicilina e é raspado frequentemente para que o calcário continue permeável e não encharque.

Tudo em Épernay gira em torno do champagne. Dependendo da época do ano em que se visita aquela região é possível acompanhar desde a moagem das uvas, até a colagem dos rótulos nas garrafas, passando por todo o processo de mistura dos vinhos, fermentação, retirada da borra e repouso das garrafas.

As cidades de Reims e Épernay são ligadas pela Estrada Turística de Champagne e o caminho é recheado de vilarejos bucólicos, nos quais os parreirais dominam a paisagem / GB Imagem

Além da fabricação do champagne, imperdível também é conhecer os vinhedos de uvas pinot noir, meunier e chardonnay, específicas na fabricação da famosa bebida. Os vinhedos são plantados de forma meticulosa porque cada uma das espécies de uvas tem suas exigências. São locais muito limpos e organizados.

Uma curiosidade são as roseiras plantadas no meio dos vinhedos. Geralmente são cultivadas como trepadeiras, ao lado de pequenas construções onde são guardadas ferramentas. Na verdade, as roseiras servem como uma espécie de alerta contra as pragas que podem atacar os parreirais. A roseira é uma espécie bastante sensível a doenças e se o agricultor percebe que algo não vai bem com as roseiras, ainda há tempo de salvar as suas uvas.

Em Reims, o Rio Vesle cuja correnteza é tão calma que até parece um lago, encanta o visitante. E a imponente Catedral de Notre-Dame de Reims é o cartão postal. A igreja foi construída no Século XIII e já foi palco da coroação de vários reis de França / GB Imagem

Além da paisagem, um bom roteiro gastronômico espera o visitante. Os pratos mais apreciados são as sopas acompanhadas de vinho, obviamente.

Para lembrar, Reims é a cidade-natal de Barbe-Nicole Clicquot-Ponsardin, também conhecida como Grande Dama de Champagne ou simplesmente Viúva Clicquot, que no Século XIX revolucionou a fabricação do champagne criando o famosíssimo champagne Veuve Clicquot.

Então, programe-se. Procure uma agência de viagens e organize o seu passeio. Desembarque em Paris e a partir da “Cidade Luz”, siga para roteiro turístico de Champagne, a região que dá nome ao famoso vinho. Boa viagem!

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