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Dicas para manter a saúde emocional em tempos de isolamento social


4 de abril de 2020 l Atualizada em - 3 de abril de 2020 às 15:02

A pandemia do Covid-19 mudou drasticamente a vida de muitas pessoas ao redor do mundo, muitas informações e notícias, nem sempre verda-deiras, ocupam a mente das pessoas e até que ponto tudo isso que está acontecendo afeta a saúde mental da população? O jornal GAZETA conversou com a psicóloga Josilene Félix para tirar algumas dúvidas a respeito do assunto.

Divulgação massiva de informações gera transtorno psicológico? (Pânico, ansie-dade…)

JF: O que nós estamos vivendo hoje, é um rio de informação, já acordamos sendo transpassados por tanta infor-mação. A gente acorda, pega nosso celular, e ali já tem várias notícias e comentários, entra nas redes sociais e só se fala sobre isso, liga a televisão e só se fala sobre isso… Muitas das vezes, essas notícias não são verda-deiras. Mas o que acontece quando a gente fica sabendo de tanta coisa ruim, de tantas notícias tristes? Isso gera em nós uma ansiedade, uma insegurança. Só se ouve falar sobre a saúde e a economia, sobre a instabilidade do futuro, sobre aquilo que pode vir, portanto não temos segurança. Tínhamos uma rotina, uma vida na qual a gente estava vivendo tranquilamente e de repente a gente é assombrado por um vírus que vem desestabilizar. Tirar a estabilidade mesmo, de toda a população do mundo inteiro, isso gera uma agonia e muitas pessoas estão tendo crises de ansiedade e estão procurando psicólogos e psiquiatras devido ao tanto de informação, tanta insegurança, tanto confronto com notícias ruins, que muitas vezes não são verdadeiras. O que se aconselha, é que não fique atrás dessas notícias, que a pessoa veja duas vezes por dia os noticiários, para se inteirar de tudo que está acontecendo. E depois tentar voltar a sua rotina dentro da sua casa, do seu dia, para não ficar tão acumulada de informações ruins, difíceis, sobre a insegurança do futuro e do dia de hoje também.

Quais são as dicas para manter saúde e a sanidade mental? Destacando o atual cenário, o isolamento sem a vida social?

JF: Enquanto pessoa, enquanto ser humano, nós nos desenvolvemos no encontro com o outro, com a convivência com outra pessoa, então é nesse relacionamento que a gente evolui, que a gente desenvolve. Com o uso da internet, a nossa geração já havia criado uma separação física e se comunicava muito mais virtualmente, nós somos uma geração muito ativa, muito virtual, muito líquida. De uma hora para outra, toda a nossa rotina foi transformada, mu-dou, nós somos obrigados a parar, a ficar dentro de casa, e o que acontece? A pessoa cheia de com-promissos se viu obrigada a estar sozinha, a estar dentro de casa com sua família, e isso tem aumentado muito também a ansiedade, isso tem acumulado as pessoas. E Agora? O que eu faço? O que vou fazer da minha vida sem esse excesso de produtividade? Sem essa agitação cotidiana da qual eu estava acostumado? Isso tudo tem desencadeado um sofrimento psicológico, um sofrimento psíquico. Não é só a pessoa que já tinha tendência, que já tinha essa síndrome desenvolvida, muitas pessoas estão tendo, desencadeando esses transtornos devido ao que nós estamos vivendo, então há um grande sofrimento psicológico. Os traços dos transtornos mentais, a tristeza, o isolamento, a ansiedade, a insegurança, tem aumentado bastante. Então, o que nós precisamos focar nesse momento é em preservar nossa saúde mental, lançar luzes de esperança, lançar luzes que é igual lucidez, trazer luz de realidade, de esperança, de que nós vamos conseguir sobreviver a tudo isso, se reinventar, se reformular diante de uma situação como essa.

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