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Dos desafios do futebol ao coronavírus, Ivan de Souza conta como está sendo a vida na Índia


9 de maio de 2020 l Atualizada em - 8 de maio de 2020 às 15:16

Ivan de Souza usando Feijom, tradicional roupa indiana: “Mergulhando na Cultura Indiana!”

O ex-professor da escolinha de esportes de Araçariguama e também ex-morador do município, Ivan Pereira de Souza, de 52 anos, vive há cerca de três meses na Índia e em entrevista, contou sobre a realidade do país na questão do futebol e também sobre as dificuldades enfrentadas diante da pandemia do novo coronavírus.

O treinador, que é natural de Guarujá e muito conhecido na região de Araçariguama, é graduado em Educação Física, já foi jogador profissional, possui a licença A da Associação Brasileira dos Treinadores de Futebol e atualmente, está cursando a licença B da Associação dos Treinadores de Futebol Argentino. Quando era jogador, atuou em equipes como Santos F.C., Associação Atlética Internacional de Limeira (conquistando o título de Campeão Paulista, sub 20), Associação Atlética Central Brasileira de Cotia, Associação Atlética Anapolina de Goiás e também, no Clube Atlético Paulistano de São Roque.

Ele também foi responsável por descobrir alguns talentos, como os jogadores Anderson Salles (Campeão Paulista pelo Ituano e Carioca pelo Vasco) e Douglas Cardozo, que também começou no Santos F.C., foi para o futebol alemão e hoje é técnico adjunto de uma equipe na Tailândia. Os dois atletas são de Araçariguama.

Ivan contou que após ter complicações no ligamento do cruzado do joelho, sua vida mudou ao deixar de jogar bola e iniciar sua carreira como treinador. “Iniciei a carreira como treinador e trabalhei em várias escolinhas de futebol. Além também, de ter estado à frente de vários clubes que disputaram campeonatos regionais e a Copa SP”, contou. Dentre os times, o treinador já passou pelo Grêmio Osasco, Cotia F.C., Tocantinópolis de Tocantins e Baré Esporte Clube de Roraima.

Seu último trabalho no Brasil foi na Escolinha de Futebol do São Paulo Futebol Clube. “Quando eu estava na escolinha, recebi o convite para trabalhar na Índia e no dia 1º de fevereiro deste ano vim para cá. Fiz um acordo por três anos”, explicou. Ivan conta que seu objetivo é levar o futebol brasileiro para o país. “A minha intenção é infundir na criança indiana o jeito brasileiro de jogar futebol”.

O ex-professor da escolinha de esportes de Araçariguama descobriu talentos como Douglas Cardozo e Anderson Salles

Futebol na Índia

Diferentemente do Brasil, na Índia, o futebol é dividido em duas divisões e tem a participação de cerca de 20 equipes. “O campeonato aqui é um pouco diferente, não são pontos corridos como aí no Brasil, são todos contra todos em dois turnos onde se classificam os quatro melhores para as etapas finais. A liga aqui vai completar ainda 10 anos, e dia a dia, ano a ano, o povo indiano vem aprendendo a gostar muito mais do futebol. Ressaltando que aqui o primeiro esporte é o críquete, depois o boxe e só após, vem o gosto pelo futebol”, explicou.

O treinador conta que a audiência e o patrocínio para o esporte estão crescendo. “A paixão entre as crianças principalmente”, enfatizou. As expectativas, segundo Ivan, são muito boas para as próximas temporadas. “Esperamos que as coisas possam ficar mais interessantes nos próximos anos para quem vem trabalhar como treinador. Diversos jogadores brasileiros como Elano, Roberto Carlos, Eli Sabiá e Rafael Crivellaro, já passaram e estão em clubes da Índia”, contou.

A equipe F.C. Imphal City, que o treinador trabalha é da cidade de Imphal, capital do estado de Manipur, e joga na divisão de base. “Estamos preparando o elenco para disputar os torneios da temporada, porém, com a pandemia do novo coronavírus não sabemos como eles serão realizados e se serão completos”, ressaltou Ivan ao falar sobre a atual situação do país.

Brazão do F.C. Imphal City, da Índia

Pandemia

Ivan não tinha como não deixar de falar sobre a Covid-19 morando no segundo país mais populoso do mundo. A Índia tem hoje uma população estimada em 1,3 bilhão, ficando somente atrás da China, com cerca de 1,4 bilhão.  “Fiquei muito assustado quando recebi a notícia da chegada do novo vírus no país. As primeiras informações eram de que todo mundo ia acabar infectado e morrer”, relembrou.

Ele então, decidiu se informar mais a cerca do assunto e organizar sua rotina de trabalho, treinamentos e isolamento social. “Meu clube dispensou todos os atletas para suas casas e o nível de obediência ao governo aqui é muito grande, quando as autoridades impuseram as medidas restritivas para enfrentamento do novo coronavírus, a população abraçou na mesma hora. Muitos lugares estão em ‘lockdown’, e outros, com toque de recolher, onde as pessoas não podem sair de casa”, ressaltou.

Nesta semana, a Índia iria ser dividida em três regiões, vermelha, laranja e verde. “A vermelha ficará totalmente fechada, a laranja, algumas coisas vão poder funcionar, e a verde, poderão estar totalmente abertas, pois estão livres da Covid-19”, contou Ivan aliviado afirmando que Imphal pertence à área verde descrita e que até o momento nenhum caso positivo foi confirmado na cidade. Porém, segundo ele, “a grande preocupação está no final do ‘lockdown’, pois muitas pessoas que estavam em outros estados, retornarão. O governo já está tomando as precauções para a realização de exames, se alguém tiver com alguma suspeita, ficará em quarentena em locais já predeterminados”.

Ivan contou que na Índia a desigualdade social é até maior que no Brasil e o nível de pobreza é bastante alto. “Uma Rupia, moeda indiana, vale menos de R$0,10. O povo indiano está acostumado a viver com muito pouco, estão mobilizados na luta contra o coronavírus e isso tem dado resultado. Da mesma forma que os indianos são obedientes ao governo, o governo retribui da mesma forma. Aqui onde estou, eles trazem comidas para as pessoas”, enfatizou.

Como forma de agradecimento, o treinador não deixa de citar as preocupações com ele estando morando no país. “Minha expectativa é de fazer um grande trabalho, peço a oração de todos aí no Brasil. Que nossa vida volte ao normal o mais rápido possível”, concluiu.

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