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Handerson Pereira: Conheça a história de superação do morador de Araçariguama portador de ELA


23 de maio de 2020 l Atualizada em - 22 de maio de 2020 às 15:22

Handerson ao lado de Junior, assistente domiciliar

“O relato de vida do próximo torna-se mais real quando, através da empatia, mergulhamos na sua história e tentamos, por mais difícil que seja, nos encaixar na sua rotina diária, sentir sua dor e seus sentimentos mais profundos”, diz a colunista Tatiana Munhoz.

Nesta reportagem você vai conhecer a história do Handerson de Carvalho Pereira, de 40 anos, gente como a gente, de Araçariguama, pai de família e esposo, que hoje está confinado a uma cama, devido a um diagnóstico terrivelmente temido em 2017 de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), doença que afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva e acarreta paralisia motora irreversível.

A ELA, além de causar muito desconforto ao portador, mexe com as estruturas familiares, tanto emocional como financeiramente, trazendo desafios enormes em relação à adaptação ao novo estilo de vida. A medicina ainda não aponta a cura, no entanto, tratamentos terapêuticos como físicos, da fala, ocupacional e respiratório são indicados, assim como o auxílio de nutricionistas e medicamentos que oneram o tratamento.

Uma doença que não escolhe raça, etnia ou condição financeira. Seu portador mais conhecido foi o famoso físico Stephen Hawking, que, desde seus 21 anos, desafiou todos os obstáculos da doença e viveu até os 76 anos. Sinta-se conectado com a história de Handerson e o ajude nessa batalha árdua, melhorando sua condição e o preenchendo com amor e esperança.

História

Handerson ao lado de sua esposa Erica e filho Samuel

“Oi, me chamo Handerson, tenho 40 anos, sou casado com a Erica (enfermeira), tenho um filho, o Samuel, de 9 anos, e sou filho do Círio e Nice (que já foi morar com Deus)”, iniciou ele sua apresentação durante entrevista ao GAZETA. Conforme seu relato, seus pais vieram morar em Araçariguama quando ele tinha aproximadamente dois anos de idade, juntamente com seus irmãos, Círio, Iser, Stella e Iris.

Os pais Nice e Círio

Handerson contou que estudou, quando pequeno, na escola do Cintra Gordinho e também na E.E. “Humberto Victorazzo”. No início da década de 2000, se formou no curso de auxiliar de enfermagem e dois anos depois, começou a trabalhar no Posto de Saúde de Araçariguama. Permaneceu no cargo durante dois anos e somente saiu quando foi chamado para assumir uma vaga concursada no município de Itapevi. Com o passar dos anos, se formou como técnico de enfermagem e voltou a trabalhar novamente na cidade, desta vez no Ambulatório Cruzeiro do Sul. Também exerceu sua profissão na Santa Casa de São Roque.

Handerson com o diploma do Curso de Auxiliar de Enfermagem em 2000

Início das complicações

“Me casei em 2009 e nos mudamos para Itapevi. Em 2013 iniciei o curso superior com bolsa 100% pelo PROUNI na Anhanguera, estava tudo indo como eu e qualquer pessoa esperava, família, emprego e evoluindo com a sonhada faculdade. Mas sempre temos surpresas na vida e comigo não foi diferente. Em junho de 2016, em uma pequena caminhada com minha esposa senti dor nas panturrilhas e fui para casa. Mesmo com a dor que não passava nem com remédios, continuei com todas as rotinas. Depois de alguns três meses, veio a dificuldade para caminhar, fui ao ortopedista, fiz alguns exames de tomografia, ressonância e fui encaminhado para avaliação do neurologista, que me pediu mais exames e já me afastou do trabalho”, relembrou Handerson não deixando de ressaltar que sua esposa sempre o acompanhou. Com o passar dos dias, ele teve que utilizar bengala pois acabou caindo algumas vezes na rua. “Sentia a força das minhas pernas diminuir a cada dia”, comentou.

Diagnóstico

Depois de exames, médicos e remédios, em um dos retornos com o neurologista, Handerson afirmou que veio o diagnóstico em julho de 2017. “O médico me olhou e falou que os sintomas e o exame eram compatíveis com a ELA, minha esposa e eu nos olhamos e logo perguntei: e agora doutor, o que vamos fazer? Ele falou que ainda não havia o que fazer e que iria me encaminhar para um hospital com mais recursos”.

Após mais alguns meses, a doença piorou e Handerson teve que parar a faculdade, pois todas as dificuldades acabaram afetando também sua vida financeira. “Minha esposa estava desempregada e indo à igreja, aprendeu a fazer chinelo decorado. Foi então que decidimos fazer este tipo de trabalho para vender. Mas a doença continuou avançando, fui perdendo as forças das mãos e braços, até que já não consegui mais preparar os chinelos, e Deus não nos abandonou, minha esposa conseguiu uma vaga de enfermeira e voltamos a morar aqui em Araçariguama. Não tem sido fácil, sempre fui ativo, hoje já não tenho movimento do corpo todo, meu pescoço não se sustenta mais, minha voz já sai com muita dificuldade, minha alimentação é feita por sonda”, contou.

Superação

Com a necessidade da compra de uma cadeira adaptada para banho com apoio para cervical, Handerson, como tem um equipamento que permite usar o computador somente com o movimento dos olhos, decidiu realizar outro trabalho para gerar renda. “Eu sei passar a fita de vídeo k7 para pen-drive e tenho os aparelhos necessários, vou fazer isso e divulgar para comprar a cadeira”. Com a divulgação pelas redes sociais e por amigos de Araçariguama, Handerson teve a surpresa de que após arrecadação de dinheiro, iria ganhar a cadeira. Mesmo assim, como necessita de mais recursos para o seu dia-a-dia, não parou de realizar o trabalho. “Desde já agradeço a todos pelo empenho e por compartilhar nas redes sociais meu trabalho, pois com ele também pagarei a adaptação que fiz no carro”, finalizou.

Atualmente Handerson conta com assistência domiciliar, onde um rapaz fica com ele durante o dia. “Júnior se tornou minhas pernas, braços e mais que isso, meu amigão”. Sem movimento do corpo todo, ele realiza tudo com o movimento dos olhos, edita e faz a vinheta na entrada dos vídeos.

Se você está querendo relembrar arquivos de fita k7 ou de filmadora, entre em contato com Handerson pelo telefone (11) 94003-9976. Ele também tem uma “vakinha” virtual aberta pelo link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/banco-adaptado.

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