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Mentira, Omissão, Ética – Tatiana Munhoz


10 de maio de 2020 l Atualizada em - 8 de maio de 2020 às 13:55

Mentira é inaceitável. Além do mais, condenável. Aceleradamente , qualquer um de nós falaria isso. E omissão? Porventura seria um formato camuflado de não contar a verdade? Alguns creditam a omissão à imoralidade. Normalmente, a maioria das pessoas não acorda pensando que ao longo do dia irá cometer erros. As oportunidades simplesmente vão se revelando.

A linha tênue entre a vulnerabilidade da mente humana e a falta de transparência na comunicação dos relacionamentos circunstanciais, interferem na credibilidade da atitude e consequentemente do resultado propriamente.

Nossas ações, de uma maneira geral, são delineadas de dois moldes: planejadas e passíveis de erros ao longo de sua implantação, devido à falta de conhecimento e experiência em determinados assuntos, ou sombrias e calculadas, quando fraquejamos em atuar em ocasião oportuna para ação.

Ora seja uma ou outra, a omissão, resultado da ignorância ou da intenção previsível, desvia a pessoa de otimizar oportunidades que lhe conduziriam a explorar o seu potencial como ser individual e social.  Em múltiplos casos, emitimos sentenças vagas, meias verdades, manipulamos informações, minimizamos e exageramos comportamentos. Em função de quê? Medo de alguns, vergonha de fazer o certo em meio a um ambiente corrompido ou simplesmente em virtude de nossa reputação?

Tendo como exemplo: em meio ao meu trajeto, encontro alguém necessitado fisicamente e não o ajudo. Seria como o ato de roubar?  Se sou responsável por alimentar uma criança, idoso ou alguém doente, e não o faço apropriadamente, seria como matar? No ambiente de trabalho vejo uma situação irregular ou escondo uma informação importante, seria como trair?  Fazer nada ao invés de implementar algo, corresponde à negligência, e, dependendo da situação, é ilusão, utopia ou tapeação.

O que seria pior: cometer algo ruim ou falhar em fazer algo bom? Qual dos dois distingue minha moral?  Quem sabe, omitimos algo somente até que as evidências tornam-se tão fortes e claras, que sua publicidade seja extremamente exposta, visto que o julgamento externo condenará a situação.  Mas quando não há muito destaque, minoria de concordâncias entre as partes envolvidas, aí omitimos?

A dificuldade em intitular os desafios sociais e éticos é complexa. Distinguir o agir e o omitir requer uma boa análise dos elementos presentes nessa batalha mental com o fim de que uma decisão seja apropriada.

A verdade é forte mas é frágil. A relação entre ela e a omissão pode converter-se em danos irreparáveis. Compreender o quê, quando, o porquê e como são elementos essenciais para promover uma atitude.  Essa pode ser a diferença em destruir ou reconstruir algo.

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Um comentários

  1. josé otávio kanay

    12 de maio de 2020 at 13:47

    Um texto para uma excelente reflexão.
    Quando temos uma visão ampla do todo, a percepção do certo ou errado é mais simples de ser identificada. Mas isso não significa, também, que devemos obrigatoriamente seguir por esse caminho apenas. Há muitas outras variáveis que interferirão na nossa decisão ou até julgamento. Temos muitas personagens bíblicas que mentiram, omitiram e faltaram com a ética. Conluios, cumplicidades, tramas etc. Não quero conduzir para “os fins justificam os meios”, jamais…
    Eu tenho um termômetro para “medir” qual caminho a seguir, chama-se paz no coração. Outro, é tentar identificar se alguém está sendo prejudicado e, por fim, não terceirizar minhas responsabilidades. Sempre terei que dar respostas na minha casa, na comunidade, na sociedade etc. Aí sim, poderei me achegar inteiro diante de Deus e conversar (orar) com ELE.

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