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No jogo de azar o imposto é só nosso! – Edison Pires


2 de dezembro de 2019 l Atualizada em - 2 de dezembro de 2019 às 11:37

O Impostômetro brasileiro, um medidor estatístico para os impostos que o país paga, que tem uma espécie de placar instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo, está alcançando cifras alucinantes.

É tanto dinheiro que o governo recolhe, que não dá para entender como o país ainda continua no buraco em que está e, pior, qual o motivo da carga tributária ser tão abusiva. Neste ano de 2019, o brasileiro trabalhou o equivalente a 153 dias só para pagar impostos. Tá bom ou quer mais?

Na terça-feira, dia 26, o valor pago em impostos, desde o dia 1 de janeiro deste ano, ultrapassava a casa dos dois trilhões de reais. Até quando acompanhei o valor era de R$ 2.236.543.975.273,00. Abaixo do “placar” do imposto, a Associação Comercial exibe umas mensagens em seu site do que o cidadão poderia fazer com esse montante. Aqui vão algumas pérolas de como esse dinheiro poderia ser gasto: Aplicado na poupança esse dinheiro renderia de juros R$ 13.003.178.309 por mês; com esse dinheiro você poderia comprar 2.404.891 Apartamentos com 3 quartos, 1 suíte, 2 garagens, 124m2, na cidade de Santo André; Com esse dinheiro você poderia receber 50 salários mínimos por mês durante 3.978.210 anos; Com esse dinheiro você poderia comprar 2.279.871 unidades do carro Porsche Panamera 4.8 V8 T. E aí, ficou animadão?!

O que me levou a lembrar do impostômetro foi o presente que comprei para um sobrinho. Ele me pediu um controle do videogame PS4. Fiz a encomenda pelo site da Livraria Saraiva e quando recebi o produto dei uma olhada na nota fiscal para ver se estava tudo certo. Foi quando fiquei indignado. Dos R$ 238,00 pagos pelo equipamento, 53% eram impostos. Ou seja, R$ 126,00 de impostos!

Pior do que pagar o valor tributado, foi saber o motivo pelo qual um controle de videogame paga tanto ao governo: por ser um acessório de equipamento de jogo de azar. Pode isso?
Se a Receita Federal quer arrecadar indiretamente com o tal jogo de azar, que tem sua prática proibida no Brasil, porque não arrecada diretamente liberando o funcionamento das casas de jogos como cassino, bingos, etc e tal? Garanto que daria uma boa arrecadação.

Mesmo proibido, os jogos de azar já atraem um bom número de pessoas em todo o canto. Elas deixariam a marginalidade e passariam a contribuir com o país e não apenas com o dono da banca. Perderiam ou ganhariam dinheiro, como já ocorre hoje, mas fariam algo de útil.

Porém, por incrível que pareça, nossos governantes parecem preferir a clandestinidade à legalidade. Melhor dizendo: Getúlio Vargas, até que tentou. Em 1938 optou pela legalidade, mas Eurico Gaspar Dutra, em 1946 por meio de decreto, proibiu o jogo e, consequentemente, deu brechas à ilegalidade. Desde então, tudo continua na mesma: proibido, porém correndo solto e enriquecendo alguns poucos.

Enquanto nada muda, vamos pagando impostos abusivos e aceitando que alguém deve mandar mais no país do que os nossos próprios governantes!

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