Por que precisamos de um baque para mudar? – Tatiana Munhoz


9 de junho de 2019 l Atualizada em - 7 de junho de 2019 às 16:05

Essa é uma pergunta que me intriga há um bom tempo.  Será que haveria uma explicação substancial  para esse tipo de mudança comportamental brusca?  O que motiva alguém a parar ou iniciar certos hábitos que até então  estavam somente escritos no caderninho de resoluções, aquele que todos nós fazemos quando um  novo ano se inicia?

De modo geral  são as  situações desagradáveis e decepcionantes que têm o maior impacto em nós.   Ao enfrentarmos ocasiões de pequenez e vulnerabilidade diante desse universo enorme, é aí que nossos olhos mentais são expostos a novas realidades.  Mas, por que tem que ser assim?  Segundo o escritor de ciência  Stephen Johnson, em  seu livro Mind Wide Open, há uma possível explicação biológica porque os eventos trágicos, de forte valor emocional, como doença grave, perda de um familiar, desemprego, entre outros, nos impulsionam a tomar uma  atitude.

Estudos indicam que principalmente  as memórias negativas  são armazenadas em nosso cérebro de forma bem detalhada.   E isso ativa um complexo processo de defesa mental, pois, ao relembrarmos fatos doloridos, nos preparamos para evitar futuras situações semelhantes.  É  uma espécie de ferramenta cerebral.

Grosseiramente falando, 70 anos é a expectativa de vida de um ser humano que, quantificando, representa: 25.550 dias, 613.200 horas, 36.792.000 minutos e 2.207.520.000 segundos.   Com uma calculdora na mão  podemos ter uma noção real numérica, mas não podemos fazer o mais importante, ou seja, qualificá-los do ponto de vista das experiências individuais.

Você sabe quanto tempo terá aqui na Terra?  Infelizmente  eu não sei. O que será que a vida tem a nos oferecer se, de repente, nos libertarmos  das prisões mentais criadas por nós mesmos, que nos impedem de vivê-la intensivamente?

A vida é um sopro e,  literalmente,  em apenas alguns segundos, o fôlego de vida pode ser retirado do corpo. Tem uma frase bem conhecida que muitos atribuem a Dalai Lama, outros a Jim Brown, que diz assim: ”  O  homem sacrifica sua saúde para conquistar dinheiro.  Depois, sacrifica dinheiro para recuperar a saúde.  Andamos tão ansiosos pelo futuro e esquecemos de aproveitar o presente. O resultado é que não vivemos nem o presente e nem o futuro.  Vivemos como se nunca fossemos morrer e morremos como se nunca tivéssemos vivido.

Por mais que não queiramos colocar nossos dias de vida num excel, por exemplo, os números aparecem a todo momento, alertando para um ato que não é falho,de que  um dia tudo terá um fim.   Quando uma pessoa para de respirar, o cérebro ainda precisa de 4 a 6 minutos para entender   que possivelmente não haverá mais entrada de oxigênio e originará um dano.    E após 10 minutos o dano já se torna irreparável.

Há uma diferença  entre morte clínica e biológica.  A primeira ocorre quando a pessoa para de respirar, o oxigênio não circula pelos órgãos e afeta o cérebro. Se essa condição não é corrigida logo, sobrevém a morte biológica, quando o cérebro não recebe sangue e oxigênio e as células começam a morrer.

Há tempo ainda de corrigirmos os erros, as palavras e os sentimentos errados.   E tanto a  vida como  a matemática nos dão as chances para mudarmos.  Vamos preencher nossos dias com  arte, música, leitura, história, etc.   Devemos  todos ser  motivados no sentido de que possamos escolher, então, o que nos impulsione a atitudes altamente positivas de experiência de vida e não nos diminua.  Afinal, ninguém tem pressa para atingir a morte clínica ou biológica, não é mesmo?

 

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