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Quando EU sou O suficiente – Tatiana Munhoz


7 de agosto de 2019 l Atualizada em - 7 de agosto de 2019 às 15:07

Quem já não ouviu a seguinte expressão: “ – essa pessoa tem de tudo, não sei por que ela se sente assim, parecendo que algo lhe falta” . Expressões como esta soam como um clichê.

Mas, na realidade, caem como uma bomba no coração de quem ouve. Não há palavras suficientes para explicar racionalmente aquele vazio interior que não se preenche.
Vejo muito isso conversando com mães, principalmente as que ficam em casa que lidam, diariamente, com a batalha de prioridades em suas mentes, tentando solucionar as necessidades de cada um da casa, esquecendo-se, muitas vezes, da dela própria. Elas sabem que, de alguma forma, optaram pela atitude coerente para aquele determinado momento que a família está vivendo, mas, talvez, pelas exigências da sociedade ou pelo próprio companheiro, relatam momentos de falta de reconhecimento e solidão, apesar de não estarem sozinhas e rodeadas por familiares e brinquedos para todos os lados.

Diariamente encontramos pessoas que, de algum modo, sofrem alguns tipos de solidão. Famílias que perderam seus entes queridos sofrem diferentemente de uma criança, por exemplo, que está com dificuldades para se adaptar à escola nova .

Será que esse sentimento de solidão seria, na realidade, um estado de espírito? Entretanto, há uma diferença entre estar sozinho e sentir-se só.

Ao redor do mundo centenas de milhares de pessoas passam por esta situação e muitos estudos são realizados, buscando respostas para as causas, prevenções e tratamentos. A solidão, se não tratada, tem o poder de desconfigurar as pessoas em suas características mais primárias, causando muito sofrimento não somente a si própria, mas, também, aos que estão a sua volta.

Estudos realizados por psicólogos dizem que a solidão está conectada geneticamente e que outros fatores, como isolação física, mudança de cidade, divórcios e mortes podem gerar outros problemas de desorganização psicológica, como depressão e ansiedade. Por outro lado, eles atestam que o amor próprio e a compaixão são peças fundamentais para um bom desenvolvimento da saúde mental, agentes defensivos contra os males mentais do século XXI.

Amor próprio, como resgatá-lo em meio a um mundo tão hostil, violento e competitivo? Talvez, o primeiro passo seja a aceitação de que eu, você , nada e ninguém é perfeito.

Passo seguinte será encarar as dificuldades dessa vida e as pessoas difíceis que encontramos como desafios para nos auto descobrir, potencializar nossas qualidades e nos reinventar a cada situação.

Não há nada de errado, quando paramos um momento, quietinhos em nosso canto, para investigar quem nós estamos verdadeiramente sendo, e não quem nós queremos ser. Reavaliar o que temos de positivo ( já que o negativo já sabemos e somos apontados e julgados a todo tempo pelo mundo) e encontrar algo que nos apaixone é outra ferramenta que nos ajuda a sermos diferentes e causar diferença.

A autenticidade tem que ser o nosso guia, nosso norte. Quando sabemos quem somos, onde estamos e aonde queremos chegar, as situações não mudam, mas você se transforma. Deixe para trás o perfeccionismo que nunca alcançará o seu estado perfeito e coloque-se em primeiro lugar. Que o amor próprio e a compaixão, primeiramente, atinjam você para, daí sim, estar preparado para amar e a se compadecer dos que estão a tua volta.

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