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Uni-vos por elas! – Ana Rafaela


26 de novembro de 2019 l Atualizada em - 26 de novembro de 2019 às 15:43

Desde 1999, a ONU reconhece o dia 25 de novembro como o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Com o objetivo de alertar e conscientizar a sociedade sobre os casos de violência e maus tratos (físico, psicológico e assédio sexual) contra as mulheres, a data é uma homenagem a três irmãs (Patria, María Teresa e Minerva Maribal), que foram violentamente torturadas e assassinadas em 25 de novembro de 1960 na República Dominicana por ordem do ditador Rafael Trujillo.

As três irmãs, conhecidas como “Las Mariposas”, eram ativistas que buscavam combater a ditadura e pagaram com suas vidas. Os corpos foram encontrados dentro de um carro no fundo de um precipício (na tentativa de simular um acidente) estrangulados, com marcas de espancamento e ossos quebrados. A notícia da morte repercutiu e causou grande comoção no país.

De acordo com o Mapa da Violência 2015, com a sansão da Lei Maria da Penha, no ano de 2006, até 2013 houve uma diminuição de 2,6% do número de feminicídios. Mas ainda assim, de acordo com estatísticas, uma a cada três mulheres sofre violência dentro de casa. Apesar da Lei Maria da Penha ter sido um avanço, ela não garante a punição do agressor e os serviços necessários à vítima, como casas abrigo (já que grande parte das violências são domésticas) ou assistência médica e psicológica.

Ainda segundo o Mapa da Violência 2015, a mulher negra é a principal vítima da violência e tem o maior número de feminicídios: em 2003, 1.864 negras foram assassinadas, e em 2013 esse número foi para 2.875.

Cerca de 48% dos casos ocorre com arma de fogo e são motivados por ódio ou motivos fúteis. As mortes em domicílio representam cerca de 27% e o principal agressor é o parceiro ou ex-parceiro.

Entretanto, a violência contra a mulher não distingue cor, classe econômica ou social, ela está presente no mundo todo e é uma questão social e de saúde pública. Os índices de violência contra as mulheres são altos, assim como as diferenças na ocupação de espaços na sociedade, e o combate a esta violência é complexo, porque esta prática tem raízes socioculturais no sistema de patriarcado, no qual o papel social do homem é mais valorizado que o da mulher.

As situações enfrentadas pelas mulheres costumam ser silenciadas ou abafadas através de preconceitos. Desde a escola até os locais de trabalho a mulher é obrigada a conviver com o assédio e a subestimação. A violência não é só agressão física, é também psicológica e moral. Agressões verbais reduzem a autoestima e fazem as mulheres se sentirem desprezíveis, elas podem causar danos à saúde, como estresse, depressão e enfermidades crônicas.

A violência interfere na vida, no exercício da cidadania das mulheres e no desenvolvimento da sociedade. Já é passada hora de tanto mulheres quanto homens deixarem de aceitar ou de encobrir atos de violência contra a mulher. A mulher não é, nunca foi e nunca será o sexo frágil. É hora de mostrar isto ao mundo por meio da luta pelo respeito e por direitos garantidos. “Violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de desespero e fraqueza.” (Dalai Lama).

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