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Violência e êxodo na conta da pandemia – Edison Pires


24 de maio de 2020 l Atualizada em - 22 de maio de 2020 às 12:02

O destino de nossas vidas está nas mãos de pessoas que, a cada dia, mostram que não sabem muito bem o que estão fazendo. Vejo nossas autoridades tomando decisões ao empunhar a bandeira da luta contra a pandemia da Covid-19, transformando a maioria delas num show de horrores de medidas ineficazes, absurdas, politiqueiras e até criminosas. Numa demonstração ao resto do Mundo, de como não se deve agir e comprometer a vida de milhões de cidadãos.

Na quarta-feira pela manhã li matéria num site de notícias, onde promotores públicos alertavam o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sobre o risco de vandalismo e saques a estabelecimentos comerciais em razão da retração econômica gerada pela quarentena. Está claro que o desespero está tomando conta dos lares de milhões de pessoas. Até daquelas que acreditavam que poderiam passar por esse período sem aperto financeiro. Então, o aumento da violência nas ruas é questão de tempo, alertaram os Promotores.

Muitas famílias já não têm o que dar de comer para seus filhos. Aquelas pessoas que tentavam driblar as dificuldades fazendo bicos e atuando na informalidade, já não estão conseguindo levar dinheiro para casa, pois a retração financeira está escalando a pirâmide social.

Fora isso, as medidas restritivas equivocadas estão provocando maior disparidade entre a população. A violência dentro dos próprios lares está crescendo. Estupros de mulheres e crianças; espancamentos; tortura psicológica são alguns exemplos do que ocorre no dia-a-dia da quarentena e, segundo dados oficiais, aumentaram em mais de 15% em relação ao mesmo período no ano passado. Os atendimentos assistenciais, como a distribuição de cesta básica, provocam filas intermináveis e descumprem normas de distanciamento e aglomeração, mostrando que nem mesmo as autoridades conseguem cumprir as próprias regras. O consumo de bebidas alcoólicas quase triplicou nesse período. Também está sendo notada a fuga de famílias dos grandes centros para cidades do interior, onde já ocorre a flexibilização da quarentena. Muitos estão buscando ali a oportunidade de ganhar um dinheirinho para dar o que comer aos seus entes queridos. Isso tudo gera descontrole e transforma a vida do cidadão num grande barril de pólvora pronto para explodir.

Finalizando, no texto enviado ao prefeito Covas, os promotores destacam que “o que se espera de um administrador público consciente de suas responsabilidades, num grave momento histórico como esse, é lucidez para perceber a situação, compromisso com os mais pobres, ousadia e coragem para implementar as medidas necessárias com rapidez e eficiência”.

Justo e perfeito. Vamos torcer para que estas palavras sejam ouvidas por todos aqueles que detém o poder de decidir os destinos de seu povo!

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